Equipamentos

 


Lowden LSE 1 - 1991
Em 1991, eu voltei para Nova York e tive a oportunidade de visitar mais uma vez o Botton Line no Village (estive lá em 83 vendo o Ginger Baker), assistindo a um gênio da música folclórica inglesa: Richard Thompson. Foi uma apresentação solo em que ele utilizou um violão fabricado na Irlanda, chamado Lowden. Nele, estava instalado um captador Sunrise, que transmitia um timbre tão autêntico que me deixou passado! Quando ele terminou de tocar a canção Vincent Black Lightning, eu estava vendido! Precisava de um Lowden a qualquer custo! Na manhã seguinte, fui visitar meu amigo Rudy e para minha surpresa ele tinha três instrumentos deles na seção de acústicos, no 2º andar da sua loja!
Lowden LSE 1 – Natural - 1991 – número de série 2928
Escolhi o instrumento que tinha o corpo e braço de mogno (o Richard usava um com corpo de rosewood), escala de rosewood e tampo de cedro. É um instrumento muito frágil para ser usado na estrada mas tem uma ação maravilhosa, com um timbre muito elegante. Ele aparece na faixa Money, Marbles & Chalk, do cd Mississippi Saxophone, do Bruce Ewan.
Nessa mesma viagem eu visitei o showroom da Gibson, em Nova York.
Estava procurando uma Les Paul Vermelha (igual do George, bichooo!) para meu futuro compadre, Marcus Rampazzo e fui levado até lá pelo então guitarrista do Bo Diddley, Jim Satten. O responsável pela contratação de artistas para serem endorsers da Gibson era um típico New Yorker - estressado de fábrica – chamado Jimmie Archey.
Impressionado com a reação do público paulista à nossa performance no 2º Festival Internacional de Blues (Ibirapuera), na noite em que abrimos para a Koko Taylor e Magic Slim, Jim rasgou tanta seda sobre mim que acabei sendo contratado pelo Jimmie mesmo sendo um Strateiro declarado!
Dois anos depois, em 1993, a Gibson abriu um Showroom no Rio de Janeiro e o responsável era o irmão do Jimmie, Robert Archey, americano de alma carioca, que tornou-se um grande companheiro de estrada! Fui o escolhido para ser seu assessor e por recomendação dele recebi de presente do presidente da Gibson, Henry Juszkiewicz, uma das primeiras Gibson Les Pauls da série Historic Collection. Uma Gold Top com P 100´s réplica do modelo fabricado em 1956. Vintage Freddie King total!

Les Paul Gold Top Custon Shop - 1993

Gibson Les Paul Gold Top – Historic Collection – 1993 – número de série 3 0006
Sendo fiel ao propósito de divulgar a marca que me patrocinava, dei férias para a Dorothy. Até então, havia sido um devoto usuário da linha de amplificadores Black Face, da Fender. Não resisti a tentação e encomendei com meu irmãozinho Silmar Nogueira um combo Marshall JTM 45, na Pride, entrando de cabeça num novo universo: Les Pauls & Marshalls...
Usei, quase que exclusivamente, esse instrumento por três anos e ele pode ser ouvido nas faixas I´d Rather Go Blind, That´s Why I´m Crying e The Weight, do cd Every Night of The Week, da cantora baiana Clara Ghimell, que eu produzi para a Movieplay em 1996.


Gold Top - Live - 1995

Jogando pelo time da Gibson, acabei me interessando por seus outros produtos, em especial os violões. Mas ao contrário das guitarras elétricas, os violões feitos na unidade de Montana não me convenceram nunca. Mas como fidelidade sempre é um elemento primordial, resolvi meu problema vendendo o Lowden para meu advogado e ótimo guitarrista, Alexandre Aoki e comprando do Norman um violão modelo J45, fabricado em 1958.


Gibson J45 - Sunburst - 1958

Gibson J45 – Sunburst – 1958 – número de série T6423-8.
A diferença entre um violão Gibson e um Martin pode ser descrita como a diferença entre uma ES 335 e uma Telecaster. Os dois timbres são imaculadamente perfeitos e são indispensáveis ao arsenal de qualquer guitarrista. Esse instrumento, em particular, era fabuloso. Tinha um timbre muito parecido com o das gravações do Lightnin Hopkins. Fiz vários shows em duo com o gaitista Bruce Ewan, usando o Gibson J45 ligado num Fender Princeton Black Face. Usando um captador Sunrise na boca do instrumento eu conseguia um som real e potente. Em estúdio ele aparece no cd Catharsis nas faixas Snowy Wood, Ain´t No Sunshine, Chewing Bone Blues, Bobby Is Asleep e No Expectations. Por uma trágica coincidência acabei me desfazendo desse violão (como fiz com o Martin D 28) para comprar um outro violão- dessa vez um Gibson J50 Natural, de 1954 - que não durou três meses comigo!

CUSTOM SHOP

Em julho de 1995, fui para Austin visitar meu parceiro Steve James,violonista virtuose e um grande historiador, com inúmeros artigos publicados na Acoustic Guitar Magazine, antes de tirar umas férias na California. Por indicação dele, levei meu material para a gravadora Antone´s. Recebi uma proposta ridícula que me fez ter certeza que o meu futuro musical estava mais ligado ao Brasil do que ao cenário de blues norte americano. A principal contribuição dessa minha estada no Texas foi a redescoberta do timbre monumental da Fender Telecaster. David Grisson estava tocando com sua banda Storyville no Antone´s Bar, na minha última noite na cidade. Seu timbre de Telly abriu meus ouvidos e acendeu meu coração!
Uma semana após ter chegado à California, procurei pelo John Suhr, que tinha trocado Nova York pela costa leste e sua parceria com o Rudy Pensa pelo desenvolvimento de amplificadores com o Bob Bradshaw. Ele estava de emprego novo: era o novo Master Builder da Fender Custom Shop. Eu queria fazer um novo fret job na Dorothy e ele era meu homem de confiança para o serviço. Fui deixar minha guitarra e aproveitei para realizar o sonho visitar a fábrica da Fender, em Corona, sul da California!


John Sur - Corona - CA - 1995

John me apresentou ao Jay Black e ambos ficaram enfurecidos ao saber que eu era endorser da Gibson mas usava uma Strato 62 na maioria das minhas gravações. Acabei recebendo uma proposta irrecusável- o John faria qualquer instrumento que eu quisesse pelo preço de custo (menos do que uma American Standard no Brasil) desde que eu parasse de usar aquela maldita Les Paul Gold Top... Fiquei bem balançado e fiquei de pensar, mas, de maneira muito ingênua e querendo apenas uma simples informação, recebi uma resposta que acabou pondo fim na minha dúvida. Perguntei se faria diferença se fosse Strato ou Telly... O John olhou para o Jay e me falou: ”Escuta... escolha uma e eu te dou a outra!” . Done deal! As guitarras ficariam prontas ao longo de um ano. Primeiro a Telly e depois a Strato! Seis meses depois de eu voltar para o Brasil a Gibson fechou seu showroom no Rio e demitiu o Robert Archey sem explicações. Pedi demissão do meu cargo e vendi a minha Gold Top para o Sergio DiNardo, da Gang Music, que a mantém na vitrine da sua loja, ao lado das guitarras de B.B. King, Robben Ford e Buddy Guy.


Telecaster Custon Shop - JS17

Fender Telecaster – Custom Shop - Burgundy Mist – 1995 – número de série JS17
Minha nova paixão era então a Telecaster e seus defensores. Albert Lee, Danny Gatton, Albert Collins, James Burton, Ted Greene, Keith Richards e Jimmy Page (o solo de Stairway to Heaven e o Led Zeppellin I foram gravados de Telecaster!) são alguns dos milhares de representantes de uma linguagem única e espetacular! Queria fazer parte dessa família também!
Decidi por uma Telecaster com corpo de Alder, braço de uma peça única de flame maple e captadores originais enrolados à mão pelo próprio John Suhr. A cor foi uma escolha equivocada... Burgundy Mist não se ajustou ao meu guarda roupa e dois anos depois e a vendi! Mas o vírus da Telecaster já estava hospedado no meu sistema...
Usei a JS17 em três canções de três cds diferentes, gravados quase na mesma época: Every Night of The Week, do cd homônimo de Clara Ghimell, Shake Your Boogie, do cd Mississippi Saxophone, de Bruce Ewan e de Hell Is Fine With Me, do meu cd Catharsis.
Aproveitando o grande fluxo de trabalho que estávamos tendo, fiz um pequeno investimento e comprei outra Fender Electric XII (A terceira. Tive mais uma que usei durante os últimos shows que fiz com os Heróis do Brasil e depois vendi para o Roberto de Carvalho). Essa guitarra foi comprada para ser usada somente na gravação do cd Catharsis e foi vendida para o Alexandre Fontanetti depois das gravações. Foi usada na faixa Ain´t No Sunshine, plugada numa Leslie 147.

Strato Custon Shop - JS30 - Maresias - 1997
Fender Stratocaster – Custom Shop - Sunburst – 1996 – número de série JS30
Uma das coisas que mais me chamou atenção em minha visita à Fender foi a excelente qualidade do maple utilizado nos braços dos seus instrumentos. No entanto a cara do rosewood, não sei não... Não gostei! Principalmente por essa razão a Strato Custom Shop teve a seguinte escolha de material: corpo de uma peça de ash, braço em birds eyes maple, pintura Sunburst em dois tons, ferragens e pickguard em estilo vintage e captadores enrolados a mão pelo John.
Quando comparada à Dorothy ela não passava de uma guitarra sem graça, mas na verdade era um instrumento muito melhor em estúdio do que ao vivo. Usei a JS30 em todas as faixas do Mississippi Saxophone, de Bruce Ewan, antes de vende-la para o Silmar Nogueira, da banda Cara de Cavalo, em 1998. O mundo deu algumas voltas e essa guitarra foi para as mãos do Alexandre Fontanetti, que a trocou comigo por uma Telecaster 1954, no final de 2001.
Com ela, gravei o cd André Christovam Trio & Hubert Sumlim Live, em 2002. Hoje essa guitarra encontra-se na Suíça, nos braços de um físico nuclear italiano, fã incondicional do trabalho de John Suhr!




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