
Bernard Purdie – Janeiro/Fevereiro
1981
(GIT – Los Angeles)
Nada mal para um branquelo da
Pompéia...
Descobrir a arte da groove ao lado do maior baterista de estúdio
da história. Seu currículo inclui Steely Dan, Aretha Franklin
e Jeff Beck entre centenas de outros artistas.

Albert Collins & I - Ribeirão Preto 1989
Na chegada de Albert Collins no
Brasil, foi preparada uma entrevista coletiva no próprio Aeroporto
de Cumbica. Entre as inúmeras perguntas formuladas, houve uma
que gerou toda essa estória. Um jornalista, o qual eu juro não
saber quem é até hoje, perguntou a ele qual era a sua
sensação ao ter seu antigo roadie, André Christovam,
abrindo o seu show?
Sua resposta foi simples e objetiva, “Não conheço
André Whatsoever nenhum...” O repórter regozijou-se
de alegria... Enfim esse bocudo seria desmascarado... Pouco depois,
imprensa e músicos embarcaram em dois ônibus distintos
para Ribeirão Preto, junto ao Albert foi meu ex-manager Herbert
Lucas. E como bom empresário, lá foi ele tentar convencer
o John Boncimino, tour manager do Albert a falar com o “homem”
e tentar lembrar-se de mim... Afinal, a carreira do artista dele estava
correndo risco, blah, blah, blah... O John sendo a boa alma que sempre
foi, foi lá com Mr. Collins e... Nada! Sem sucesso, o cara não
tinha a menor idéia de quem era André “Whatishisnameagain”?
Eu estava condenado... No outro ônibus, o rapaz não cabia
dentro de si! “Vou acabar com a vida desse desgraçado,
mascarado, mentiroso” se vangloriava para quem quisesse ouvir...
Eu levantei cedo, tomei café e fui tomar um solzinho na porta
do hotel, totalmente desavisado, quando os ônibus chegaram. O
primeiro a sair foi Albert, que ao me ver ali na frente dele, abriu
um grande sorriso e meu deu um grande abraço. O que se segue
é o resumo do nosso diálogo:
“Andy, meu filho, o que é que você esta fazendo por
aqui?”
“Eu vou abrir o teu show amanhã à noite!”
“Ah, você está tocando com esse brasileiro que falou
pra todo mundo que me conhece...”
“Albert, eu sou o cara que disse pra todo mundo que te conhece...”
“E desde quando você é brasileiro?”
“Albert, cara, eu nasci, aqui...”
A essa altura, um outro jornalista, o grande Carlos Calado se aproxima
e pergunta: “Afinal, você o conhece ou não?”
“Conhecer? Eu criei esse filho da p...! Só existem duas
pessoas que podem dizer que aprenderam a tocar guitarra comigo, um é
Coco Montoya e outro é esse grandissíssimo filho de uma
...! Me dá aqui mais um abraço... Bom te ver de novo,
meu filho!”
A foto é do show de domingo...

Família Real – As guitarras
de Catharsis 1996
O único momento da minha
vida em que eu cheguei a ter uma coleção de guitarras,
da esquerda para direita: Gibson J45, Electric XII, Strato Custom Shop,
Dorothy, Telly Custom Shop, Silvertone e Del Vecchio. A frente Fender
Lap Steel.

Seymour Duncan - o avô da Capitelly
Quando eu ouvi o disco Blow By
Blow, em 1974, eu tive um treco!
A começar pela capa, maravilhosa, prenúncio de um grande
som, depois a produção magistral do George Martin e finalmente
a performance irretocável do gênio Jeff Beck. Um disco
perfeito! A balada Cause We´ve Ended As Lovers é coisa
para se pôr numa cápsula espacial e enviar como saudação
aos povos mais evoluídos do universo...
Eu fui ao lançamento do There & Back, no Greek Theater de
Los Angeles, em 9 de Outubro de 1980. Quando “El Becko”
passou a Strato Sunburst pro roadie e vestiu aquela Telecaster “Frankenstein”,
meu coração parou! Era a “Telegib”, presente
do Seymour Duncan, que ele usou na gravação original de
“Ended As Lovers”! Um instrumento feito todo pelo Seymour,
para que o Jeff pudesse recuperar a mesma sonoridade da Les Paul que
ele usou no disco Truth, que havia sido violentada por um pseudo luthier
americano na turnê do Jeff Beck Group original, em 1969.
Quando - no final de 2003 - eu soube que iria para a NAMM, decidi levar
a Capitelly para conhecer o cara de quem eu havia roubado a idéia
para a sua concepção. Ele ser o maior expert em captação
para guitarras do planeta, além de um baita guitarrista são
fatos, digamos, quase irrelevantes.
Importante é ele ter adorado o instrumento!!! Se o Marcio Zaganin
arrumar outro pedaço de grumixava, tão bom quanto o do
braço da Capitelly, eu sou capaz de fazer uma “Tellysister”
para dar de presente para ele!!!
PS: Palavras do Seymour: -“André, eu queria ter dado uma
Gibson Les Paul para ele... Mas eu não tinha grana pra tanto...
Aí eu fiz a Tellygib...”